DEIXA DE ORGULHO, E VEM!

texto56Não vou começar esse texto com promessas. Que fique claro que não é que eu não tenha vontade de te prometer toda felicidade e amor do mundo, mas é que hoje, só hoje, quero focar nos fatos reais e cotidianos. Sinto sua falta. Pensou que eu nunca admitiria isso, não é? É que a saudade me acorda toda madrugada com um tapa na cara e eu apanho quieta. Tem seu lugar vazio no outro lado da cama, seus vestígios espalhados pelo quarto e eu me sentindo sufocada no meio de tanto espaço. Eu sei que nunca fomos perfeitos juntos e na verdade, eu nem quis que fôssemos. Não, porque eu gostava (e ainda gosto) do seu jeito meio inconsequente que batia sempre de frente com a minha razão. Desde o gosto musical a um ser mais caseiro e outro amante da balada, entende? As diferenças são complementares. E a beleza disso tudo era evidente, porque cada um fazia um esforço sob humano para se encaixar na rotina, no peito e no coração do outro. 

Cá entre nós, eu não quero mais ficar sozinha. E faço questão de remeter minhas palavras a você, porque a minha saudade é específica demais. Tem nome, sobrenome, endereço, telefone e um gosto musical horrível. Mas o sorriso encantador compensa todo o resto. Você sabe, meu amor por você é enorme e minha preguiça por coisas novas também. O novo nunca é o suficiente, nem preenche por muito tempo. E a culpa nem é dele, é minha, que só aceito um velho amor como consolo. Não quero encontrar novas saídas e caminhos, mas ficaria feliz em refazer nossas trilhas de mil modos diferentes. Quero amanhecer, dormir e enrolar uns minutos na cama ao teu lado. Quero você. Faz assim, esquece tudo o que passou e vem. Volta para o lugar de onde você nunca deveria ter saído e a gente esquece tudo de uma vez. 

Eu falto do trabalho, levo um atestado na faculdade e sumo do mapa com você. Dou-nos uma semana, só nossa, sem interrupções, que é pra gente refazer nossos planos e nos amarmos sem medidas. Aprendemos a cozinhar coisas novas. Vamos dar risada até a barriga doer e esquecer a falta de tempo que nos rouba tanto de nós mesmos. Vem, coloca teu orgulho naquela estante empoeirada da sua casa que é pra você olhar futuramente e se orgulhar de tê-lo abandonado. Não demora não, sua cerveja ainda tá na geladeira, seu cigarro na cabeceira e eu ainda estou aqui, tudo continua do jeitinho que você deixou.
Viu só? Eu poderia jurar que não falaria sobre promessas neste texto, mas como sempre, você me fez repensar minhas falas, atitudes e tudo mais. Então, abaixe suas armas de combate e levante a bandeira branca. Segundas chances são sempre bem vindas aqui, querido. Vem que eu te dou mil beijos, te faço um carinho e um poema. Vem, que já passou muito tempo e nosso destino foi escrito há vidas atrás. Aproveita que ainda é cedo e não se esqueça de que o nosso infinito começou há muito tempo. Aproveita essa segunda chance, e vem!
Sobre a autora: Raiane Ribeiro, 20 anos, publicitária em formação, psicóloga de amigas com relacionamentos frustrados. Leia o seu blog!

DE AMOR EM AMOR

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Um dia desses desisti de ser eu. Cortei o cabelo. Arranquei você em cada fio que foi ao chão. E então, dormi tranquila. Depois acordei me sentindo sozinha. E sabe o que a gente sente quando isso acontece? Dor. Dói muito não ter ninguém para abrir o coração quando a madrugada chega. E então, logo que acordei, decidi mudar completamente, fiz uma tatuagem. Eu esperava que a cada vez que a agulha fincasse no meu corpo, eu sentisse uma dor superior a de não ter um “por quê” para sentir dor. Amar dói.

Não me lembro muito bem o momento em que me tornei tão clichê. Ficar por aí divagando sobre o amor e seus desastres não é para mim. Ou será que é? Não sei. Parece que acordei sem identidade. Sem porquês. Sem dúvidas. Sem sonhos. Simplesmente acordei. E me vi no espelho. Egocentrismo a parte, eu estava linda. Me senti leve. E descobri que não parei mais para me observar. É trabalho, faculdade, amigos, festas, trabalho, trabalho, trab… E eu? E meu eu de verdade? Ainda tenho um coração?

Acontece que o amor às vezes é um porre. A gente se deixa levar, para cair logo adiante. E nos afundamos tanto em mágoas e dores, que nos esquecemos de viver. E não se pode abandonar a própria vida para viver a de outra pessoa, entende? Vai me dizer que nenhuma garota no mundo nunca teve vontade de se vingar daquele babaca que a deixou sozinha numa festa qualquer? Ou de pedir desculpas a alguém que não dá (nem nunca deu) a mínima para ela? E a vida se torna uma eterna busca pelo inalcançável. A gente quase sempre quer salvar um amor que morreu. Ou que, às vezes, nem chegou a existir. E isso é cansativo. Viver em função de um outro alguém soa mórbido para mim.

Eu estou leve. E livre. Não vou me permitir mais fazer qualquer tipo de loucura que me coloque em segundo plano. Eu sou o centro do meu próprio universo e nada vai mudar isso. Eu decidi que preciso ser mais áspera. De amor em amor, a gente deixa de ser rosa vermelha para virar cactus. Endurece, deixa de fechar os olhos para não enxergar a falta de inocência humana. De amor em amor, a gente cresce, deixa de confiar e mais umas outras mil coisas acontecem. De amor em amor, a gente se perde, aí vem alguém e nos encontra de novo. De amor em amor, a gente vive. Amar dói, mas a solidão de não ter a quem amar, fere muito mais.

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Sobre a autora: Raiane Ribeiro, 20 anos, publicitária em formação, psicóloga de amigas com relacionamentos frustrados. Leia o seu blog!