Não me deixe ir

texto383Já se passava das quatro da manhã o avião estava quase decolando, se sentou-se do outro lado do avião ao meu lado um casal de namorados. A nostalgia tomou conta de mim, me lembrei de como nós dois eramos tão felizes e hoje estou aqui sentada nessa poltrona de avião sozinha. Indo embora para algum lugar do mundo pra esquecer que um dia eu te amei que um dia eu derramei lágrimas por você – como eu fui tolar, mas não mais, agora vou procurar o meu caminho, vou me redescobrir. Perdi muito tempo insistindo em algo que nunca existiu algo que eu acreditei que pudesse dar certo. Acho que você nunca vai achar uma garota boba que nem eu, mas não se preocupe aquela garota que você conheceu ela vai ficar aqui, onde que é o lugar dela, mas quando você me reencontrar (espero que isso não aconteça) em outro lugar não perca o seu tempo, ela ficou lá para trás, com o coração todo em pedaços, mas essa não, essa já superou a sua abstinência.

Saber todos os presentes que você me deu? Coloquei tudo dentro de uma caixa, e queimei tudo, tudinho, até os presentes mais caros, eu não quero nada que me levar recordar de você. E que faça me recordar desse amor, esse amor barato, ser é que um dia eu posso chamar de amor. Só quero levar daqui o que cabe na mala e no peito, o resto não me pertence mais – acho que nunca me pertenceu.

Odeio ficar viajando nos meus devaneio e imaginar que você pudesse vir atrás de mim, igual nos filmes, e fazer para o avião, e ser declarar dizendo que me amar e que não posso ir embora da sua vida. Sei que isso é apenas uma ilusão e que jamais vai acontecer, porque eu amei um covarde, e amei com toda intensidade. Vamos-me digar o que você sentiu por mim? Acho que nada, eu sei… Todos sabiam, até os meus pais! Mas eu queria fingir que você me amava!

O avião já está se partindo e a cidade ficando cada fez pequena, já está na hora de deixar tudo para trás, quando eu falo tudo – incluir principalmente você, agora irei começar escrever uma nova página (já que eu rasguei todas), e você não vai fazer parte, nem se fosse uma biografia da minha vida. Mas bem lá fundo, uma voz ecoar querendo gritar e pedir que você não me deixe ir, mas eu sei eu preciso me desligar de você. Já que você já fez questão de me esquecer. Mas nunca, jamais, encanto você viver, se esqueça que um dia você me teve em suas mãos, e me deixou ir…

Caso um dia me reencontrar finja que não me conheça, que nunca, nunquinha em toda sua vida me viu. Se precisar mude de calçada e desvie o olhar de mim, finja que eu sou uma estranha. Porque de hoje em diante você é um simples estranho para mim… Foi algo que eu tiver e que jamais vai fazer falta.

Você é forte menina

texto320 Levante desse chão frio. Enxugue essas suas lágrimas, pentear esse cabelo. Ser arrume. Menina, não chore por aquele babaca, ele não merece um terço dessas suas lágrimas. Não fique chorando pelo simples fato dele não te amar! Pode até doer, mas saiba que realmente não vale a pena derramar suas lágrimas em vão. Vamos se arrume. O mundo lá fora está tão lindo e você trancada nesse quarto tão frio. Eu sei que ta doendo, mas o mundo lá fora ninguém vai ligar para o que você está sentindo. Engole o choro. Seja forte menina, você conseguir, aliás você sempre consegue. Coloque um lindo sorriso nesse seu rosto, ninguém merece suas lágrimas, e muito menos ver seus olhos inchados de tanto chorar. Apenas sorria, sei que é difícil colocar um sorriso, quando a única coisa que você deseja é chorar. Ele não merece ver você chorando, finja que ele não sabe que é a razão pela suas lágrimas. Lembre-se sempre que você só poderá exigir o amor de alguém quando aprender a amar a si própria.

A vida não é como os filmes de comédia romântica, nem tudo são flores, mas também nem tudo são espinhos. Por que sempre vai existir um novo dia para você poder errar e recomeçar. Se cair levante e caminhe, você é forte. Só não vale desanimar.  Eu sei ta difícil, mas vai passar, tudo passa.

Calma menina, você é nova ainda, vai ter muitos amores para viver, e muitos erros para comete, só não vale desistir. E um dia você vai conhece alguém que vai fazer os seus dias ser os melhores, que não vai fazer você chorar – ao menos que seja de tanto rir. Tu vai amar e será amada. Mas antes você vai sofrer muito no amor. Você vai conhecer vários babacas, só não deixe que eles partam o seu coração. Nem todos saberão te valorizar, mas não desista, você não nasceu para ser perfeita e muito menos para agradar os outros.  Me promete, que você vai tentar ser forte, e nunca mais irá chorar por um simples idiota?

Saia desse quarto, enfrente tudo e todos. Não vá desanimar. No fundo você saber que é forte.

Ela acreditava…

texto152
Ela era uma doce menina. Acreditava em amor a primeira vista, que um dia o príncipe dela iria chegar em um belo cavalo branco, e iriam viver felizes para sempre. Ela acreditava que as amizades eram para sempre e que nunca iria acabar. Ela acreditava que todas as pessoas que entrariam na vida dela nunca iriam abandonar e quando fosse embora ela achava que poderia voltar. Ela acreditava em todos os “eu te amo” que ouvia. Acreditava que o amor era eterno. Ela acreditava no Peter Pan, acreditava que existia a Terra do Nunca e iria encontrar a Sininho, por lá. Ela acreditava em borboletas no estômago quando se estava apaixonada.

Pobre menina!

Mas ela conseguiu enxergar que o mundo era perverso, as pessoas sempre iriam-te apunhalar pelas costas. Ah, e o amor. Ela aprendeu da pior forma que o amor nem todos vão encontrar o seu. E príncipes?  Ela viu que eles só existem na Disney que na vida real o máximo que ela vai conhecer é o cavalo. Ela viu que as pessoas entrariam na sua vida, e da noite para o dia nunca mais viriam, e o pior não deixaria nenhum bilhete escrito: – Foi muito bom te conhece, estou indo embora, mas nunca vou te esquecer. Ela viu que quando as pessoas vão embora não dar nenhum “adeus”, simplesmente some.

Ela esperou pelo Peter Pan (no fundo ela sabia que o mundo era perverso), e ele não apareceu para levá-la para Terra do Nunca, e ela nunca conheceu a Sininho. Ela viu que tudo era apenas conto de fadas. Ela descobriu que são poucas pessoas que mudar por amor, bem poucas. E borboletas no estômago, ela deixou de acreditar. Ela cresceu e deixou de ser uma doce menina.

Ela aprendeu que a vida não é conto de fadas, e que nada é perfeito. Ela viu que não adiantaria chorar para todos ver, ninguém ser importaria mesmo. Ela descobriu que o melhor lugar para chorar é de baixo do chuveiro, e o seu melhor esconderijo do mundo é o seu quarto. E as músicas era o seu refúgio, que a cada estrofe do que estava ouvindo dizia o que estava sentido. Ela carregava  aquele lindo sorriso, não ser engane era tudo fingimento, o mundo dela estava desmoronando, poucos conseguia ver, o talvez ninguém via. Ela disfarçava muito bem. Ela adormecia e imaginava que tudo que estava vivendo era um pesadelo, e quando acordasse iria voltar para o seu mundo. Mas de nada adiantaria, o mundo que ela estava vivendo era o seu verdadeiro, e o que ela imaginava, era apenas um sonho.

Desculpa, mas eu não vivo de ilusões

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Às vezes fico imaginando como eu puder ser tão ingênua em acreditar em você. Não consigo imaginar como conseguir acreditar em todos os seus “eu te amo”, como me deixei levar igual uma garota ingênua que estar descobrindo o amor. Talvez eu ainda seja mesmo uma “garota ingênua” que estar nessa fase de descobrir o amor. Mas você tem que sabe que garotas ingênuas com tantas ilusões elas acabam ficando frias para um dia amar alguém. E você pode-te certeza que a garota ingênua que você conheceu, eu assassinei ela aqui dentro de mim. Foi difícil matar ela, mas eu consegui.  Ela já está mortinha da silva, e nem você, e nem ninguém vai consegui ressuscitar ela de volta.

Mas você tem que sabe que nem todas as garotas são ingênuas para o lado do amor. Algumas já sabem quais as armas que elas têm que usar e, um dia você vai se apaixonar por essa garota  e ela vai despedaça o seu coração. E aí, você vai se lembrar de mim, o tanto que me fez sofrer e, vai ver que perdeu a pessoa que um dia te amor de verdade sem perdi nada em trocar (apenas que me amasse) e tenho certeza que você vai se arrepende muito.

E talvez você me procure com essa sua lábia de Don Juan dizendo que vai sempre me amar, que nunca, mas vai me fazer sofrer e todo aquele seu blábláblá. Vou apenas te dar um conselho, não perca o seu tempo batendo no meu portão que não vou acreditar em, mas nada que sair de dentro da sua boca.

O seu jeito Don Juan não me conquistara mais e, se você for à porta da minha casa só tenho que te dizer uma coisa que está engasgado na minha garganta. Eu te amei muito me entreguei de corpo e alma para você. Mas, eu fui como uma rosa delicada e sensível só que eu tinha espinhos, e você esqueceu-se disso e hoje o que apenas me restou foram os espinhos. Agora você não pode mais brincar, porque eles vão acabar te machucando. E eu não quero te machucar. Então, por favor, esqueça que eu te amei. E esse amor que eu sentia por você já esta morto, mas eu não precisei assinar ele. Foi embora sozinho, ele acabou se tocando que eu não vivo de ilusões. Adeus espero nunca mais ter encontrar e, se caso topar comigo pelas ruas finja que não me conhece.

Liberte-se menina

texto66Liberte-se menina, dos seus amores não correspondidos, e de todas as suas desilusões. Liberte-se dos seus medos e de todas as coisas que não deixar você viver os seus sonhos.

Viva não tenha medo de viver. A estrada da vida ás vezes é curta, ás vezes tem paradas muitas vezes tem curvas, mas sempre tem um fim. Não temas o passado, e nem ser preocupe com o futuro, viva o presente. Se der vontade de dançar, dance, como jamais houvesse o amanhã. Não ligue para o que as pessoas irão pensar. Liberte-se de tudo e de todos. Brinque mais vez na chuva. Roube um beijo de alguém que você tanto gostar. Diga para alguém que você o amar. Abrace alguém como você gostaria que fosse abraçada. Sorria sempre que puder, não deixe que ninguém tire esse seu lindo sorriso. E se você for chorar, que seja de tanto rir, e ser não for, que seja de felicidade. Porque menina, ninguém merece suas lágrimas de tristeza. Liberte-se menina de tudo que faz mal para você.

Leia mais livros se encante com todas as histórias que você ler. Construa o seu “mundo”, e mostre para as pessoas que lá os sonhos podem virá realidade. Liberte-se dos seus sonhos que não conseguiu ser realizados, não fique frustrada muitas coisas não dão certo, porque haverá coisas melhor esperando por você. Descubra novas coisas, algo que ninguém imaginou que pudesse existir, mas que você acredita que existe. Descubra o horizonte mostre para o mundo que o horizonte existe, e que não é apenas uma utopia.

Sempre que ouve vontade de cantar, cante. Não ligue se as pessoas irão te chama de louca, o que menos importa é o que as pessoas irão achar. Não a nada melhor do que sair cantando ao vento.

Liberte-se menina, saia desse casulo que você está presa. Abra as asas e voei. Voe pelo mundo, e conheça novas pessoas, conheça novas culturas, descubra o seu verdadeiro. Apenas ser liberte-se.

Procura-se um amor

texto215Hoje sair pelas ruas da cidade espalhando várias faixas, e coloquei alguns cartazes nos prédios, e espalhei alguns panfletos pelas ruas.  Em todos escrevi “Procura-se um amor”. Quero ver ser alguém possa me ajude a te encontrar, ou que você possa ver tudo isso.

Procura-se um amor que sempre vai estar comigo em todos os momentos. Que irá me defender de todo o mal. Procura-se um amor que vai estar comigo para ver o sol nascer e para observar o pôr-do-sol. Procura-se um amor que vai odiar meu estilo musical, mas vai escutar por que eu gosto. Procura-se um amor que sempre que eu estiver triste vai fazer de tudo para me fazer sorrir.

Procura-se um amor que vai querer dançar na chuva comigo. Procura-se um amor que conte piadas sem graça só para me fazer rir. Procura-se um amor que me envie mensagem inesperada de manhã. Procura-se um amor que me traga segurança, confiança e carinho… E que me traga mais fé ao amor. Procura-se um amor que queira morar em uma casinha de frente para o mar. Para podemos acorda com o barulhinho do mar. Procura-se um amor que me abrace quando menos imaginar. E que sempre me roube beijos quando menos esperar.

Procura-se um amor que queira me amar.

E não importa que eu tenha que conhece os quatro cantos do mundo. Que eu tenha que apreende vários idiomas para encontrar você. Se no mundo existe mais de sete bilhões de habitantes tenho certeza que um dia iremos nos encontrar, mas caso não nos encontremos eu te procurei. (…)

Estou te procurando, então, por favor, venha logo.

O que ainda não aprendi

texto102Sempre ouvi dizer que a vida ensina e que o tempo cura tudo. Mas hoje preciso te contar que certas coisas a vida ainda não fez o favor de me ensinar e que o tempo se atrasou e ainda não veio me libertar de uns desejos. (…) O tempo nem sempre cura tudo. Tenho feridas que já cicatrizaram, mas que insistem em latejar quando o dia está nublado. Tenho mágoas que já foram superadas, mas se lembro bem, se lembro forte, se penso nelas eu choro. E o choro dói, dói, dói como se fosse ontem. Tenho vontades que nunca passam. Tenho uma tara por chocolate e queijo que nunca saiu de viagem. Tenho mania de escrever em blocos e ter pelo menos dois deles sempre dentro da bolsa. Tenho sentimento de posse, tenho ciúme, tenho medo de perder quem é essencial na minha vida. Tenho medo de me perder, por isso acendo todas as luzes.

A vida me ensinou a perdoar os outros. Mas fez questão de me mostrar que a gente pode perdoar sem esquecer. Minha memória é boa, sei quem pisou na bola. Aceito que as pessoas errem uma ou dez vezes, desde que se arrependam com o coração. Arrependimentos da boca para fora nunca me convenceram, apesar de eu já ter caído em ladainhas toscas sem fim. A vida ainda não me ensinou a me perdoar. Me condeno, me mando para a cadeia, para a solitária, como pão e água. Cumpro minha pena e nem assim descanso. E eu não sei pedir. Meu Deus, eu não sei pedir ajuda. Nunca gostei de depender dos outros. E tem mais: não consigo dizer eu-preciso-de-você-agora. Sei que é simples, mas não sai. Algo me trava, a voz não sai.

Tenho um orgulho que não me deixa. Acho que tenho que ser a fortona do pedaço, que consigo me reconstruir, me levantar sem dar a mão para ninguém. Não gosto de admitir nem assumir fraquezas nem de demonstrar a minha própria fragilidade. As pessoas fazem SOS a todo instante. Choram, pedem, imploram, suplicam. Não consigo. Para mim isso é traição. Não consigo chegar para a outra pessoa e falar tô-acabada-tô-precisando-não-vou-conseguir-sozinha. Sinto um terror só de pensar.

Ninguém nunca me disse que eu precisava ser forte. Um dia, sei lá quando, eu resolvi que ia ser. Sempre fui aquela que ouviu todo mundo, automaticamente achava que tinha que dar força para os outros. É claro que mil vezes peguei o telefone chorando perguntando o-que-eu-faço. Mas isso é quando eu era adolescente e estava arrasada porque algum bonitão me deu o fora. Meus assuntos sérios e profundos eu nunca soube dividir. Penso que a vida é minha, o problema é meu, ninguém tem que ouvir minhas lamúrias, tristezas, coisas chatas e ruins. Penso que me viro sozinha. Penso que me resolvo comigo, que dou um jeito, que consigo.

Quer saber uma verdade? Isso cansa. Vejo tanta gente dizendo que eu sei tudo, que eu posso ajudar, que isso, que aquilo. Eu não sei nada, apenas me sintonizo com minhas emoções. Não posso ajudar em nada, apenas escuto o meu coração. Ele fala tanto que deixa tonta. Cansei de ser forte, cansei de não saber pedir ajuda, cansei de tentar fazer tudo ao mesmo tempo, cansei de não conseguir dormir direito pensando no que preciso comprar para a faxineira, cansei de tomar café pensando no que me espera na agência, cansei de não conseguir sossegar meu pensamento, cansei de esconder meu lado frágil, inseguro, cansado. Cansei de aceitar as minhas imperfeições sozinha. Por favor, me aceite também.

Sobre a autora: Clarissa  Corrêa escritora. Escreve crônicas, contos, receitas, bilhetes, cartas, cartões, títulos, textos. É redatora publicitária e autora do livro de crônicas “Um pouco do resto”. blog dela.

O amor chega em uma hora

texto71Daqui a uma hora ele chega. Não deu tempo de consertar o esfolado da minha unha e de esfoliar decentemente os pêlos encravados. Esfolado, esfoliado. Tudo parece música e rima mas é só porque você chega em uma hora. Tem um carro que passa lá longe, enquanto eu tento abrir os olhos e encarar esse dia em que você chega. Esse carro não sabe, mas foram mil anos abrindo os olhos e ouvindo carros e ouvindo ruas e não ouvindo a sua voz. E agora a sua voz existe e você chega em uma hora. Não estou pronta. Minha barriga dói. Eu tenho vontade de vomitar. Eu não consigo comer de tanto medo que eu estou sentindo. Eu quase desmaiei agora de manhã, porque pra piorar está calor. Não lido bem com calor. Não lido bem com nada que não seja eu em minha bolha arejada de imaginações. Mentira, não lido bem com minha bolha arejada de imaginações também. Não lido bem com nada. Não deu tempo de virar mulher. A hora que ele aparecer no desembarque do aeroporto, com sua cara de homem, com sua voz de homem, eu vou ter vontade de pedir que ele volte de onde veio e espere mais cem anos. Porque não deu tempo de eu virar mulher. Eu vou ter vontade de pedir que ele me carregue no colo até a casa da minha mãe e me entregue pra ela. Eu queria tomar sopa na casa da minha mãe. Eu lembrei agora que minha mãe me dava Sustagem quando eu ficava assim, tão assustadoramente encantada pelo mistério das coisas. E ela temia que eu desintegrasse. E agora? Como faz quando se é adulta? Qual é a sustagem de agora para que eu não desintegre? Como é que se ama com um corpo de trinta e três anos se por dentro eu tenho cinco anos e estou tremendo, apavorada, pressentindo o estrago que as coisas de verdade podem causar. Por que eu chamo de estrago quando sei que, na verdade, estrago é o que as coisas que não são de verdade causam. Eu tenho tamanho pra suportar o tamanho das coisas de verdade?

O amor chega em uma hora e eu ainda não consegui comer, escolher a roupa, arrumar minha franja, decidir se já posso amar. O amor chega em uma hora e vai quebrar meu gesso mas eu não decidi se os ossos já estão bons o suficiente. Mas ele vai chegar com trinta martelos e eu vou estar esperando, forte e decidida, pra receber a porrada. E o ar que vai entrar. E mais dor. E o ar que vai entrar. E quem sabe então alguma felicidade, já que fui corajosa. Quem sabe a felicidade seja a harmonia entre a dor e o ar que entram pelos poros que temos coragem de abrir? E quem sabe só o amor seja o martelo possível?

Escrevo isso e choro. Porque quero tanto e não quero tanto. Porque se acabar morro. Porque se não acabar morro. Porque sempre levo um susto quando te vejo e me pergunto como é que fiquei todos esses anos sem te ver. Porque você me entedia e dai eu desvio o rosto um segundo e já não aguento de saudade. E descubro que não é tédio mas sim cansaço porque amar é uma maratona no sol e sem água. E ainda assim, é a única sombra e água fresca que existe. Mas e se no primeiro passo eu me quebrar inteira? E se eu forçar e acabar pra sempre sem conseguir andar de novo? Eu tenho medo que você seja um caminhão de luz que me esmague e me cegue na frente de todo mundo. Eu tenho medo de ser um saquinho frágil de bolinhas de gude e de você me abrir. E minhas bolhinhas correrem cada uma para um canto do mundo. E entrarem pelas valetas do universo. E eu nunca mais conseguir me juntar do jeito que sou agora. Eu tenho medo de você abrir o espartilho superficial que aperto todos os dias para me manter ereta, firme e irônica. Minha angústia particular que me faz parecer segura. Eu tenho medo de você melhorar minha vida de um jeito que eu nunca mais possa me ajeitar, confortável, em minhas reclamações. Eu tenho medo da minha cabeça rolar, dos meus braços se desprenderem, do meu estômago sair pelos olhos. Eu tenho medo de deixar de ser filha, de deixar de ser amiga, de deixar de ser menina, de deixar de ser estranha, de deixar de ser sozinha, de deixar de ser triste, de deixar de ser cínica. Eu tenho muito medo de deixar de ser.

Agora é menos de uma hora. Você vai chegar e automaticamente minha agenda de milhares de regras e horários e controles vai desaparecer. E eu vou ficar apavorada porque só o que eu tenho é o contorno mentiroso que eu dou para os meus dias. E você, porque me abraça e me dá outro desenho, é o vilão da minha vida programada. Você é o tufão de oxigênio que invade meu nariz mas, porque estou com tanto medo, mais parece falta de ar. Agora é menos de menos de uma hora. Preciso terminar esse texto. Mas eu tenho medo, sobretudo, de terminar esse texto. Sobre o que eu vou escrever se você for melhor do que esperar por você?

Sobre a autora:  Tati Bernardi é roteirista  de cinema e TV, colunista e escritora! Sempre leio vários textos dela, tenho certeza que a maioria de vocês já viu algum dos textos dela no tumblr, blogs, facebook, enfim.

 

Apenas uma vaga lembrança

texto52Chego em casa. Pego uma xícara de chá quente. Ligo o rádio está tocando “Love is here – Sonohra”, quanto tempo não ouço essa canção, e acabo me lembrando de você! Essa seria a última música que eu gostaria de ouvir em toda a minha vida, ela retrata o que estou vivendo agora sem você aqui comigo. Como uma música pode-te a capacidade de fazer eu me lembrar tanto o passado.

Pego um álbum de fotografia que está em cima da escrivaninha, e todas as nossas fotos estão lá (como têm várias). Eu poderia ser uma pessoa normal, poderia te jogado todas essas fotos no lixo, todas essas cartas suas de amor (jurando está comigo para sempre). Mas não, fiz questão de deixar todas essas lembranças suas bem guardadas. Não sei por que? Talvez, seja que lá no fundo, eu ainda acredito que você ainda vai voltar para mim… Parece que o tempo faz de tudo para que eu não se esqueça de você, ou é  eu mesma que não quero te esquecer?

Antes de você ir embora disse que sempre me ligaria, me enviaria sms, emails! Mas, não. Esqueceu-me. Me abandono. Porém eu não te culpo, pra falar a verdade talvez eu tenha um pouco de culpa. Por ter depositado em você todo o amor que eu sentia. Por ter acreditado em todas as palavras que você disse, por não ter desistido, antes de tudo isso tivesse acontecido. Acho que a mais culpada de tudo te acontecido fui eu mesma.

A música já está terminando. Sinto uma lágrima escorrendo no meu rosto! A nostalgia começa a ser aproxima de mim, não quero que a música acabe, quero ficar ouvindo o dia inteiro. Ela acaba me trazendo uma vaga lembrança de você, não sei como tenho a capacidade de ligar sentimentos com músicas.

Começa a tocar uma outra música na rádio, acho que é Lady Gaga – bad romance, nem consigo presta muita atenção. Pego o celular que está na escrivaninha, vejo que ser passou alguns minutos.

Pego o telefone e ligo para a rádio: – Oi moço, por favor, tocar de novo “Love is Here – Sonohra”. Não demorou muito, e  a música começou a tocar de novo.

Sem nome

texto44Você precisa fazer alguma coisa, as pessoas dizem. Qualquer coisa, por favor, as pessoas dizem. O que não dá é pra ficar assim. Nem que seja piorar, nem que seja enlouquecer. Olho o rosto das pessoas. Tem os ossos, dai tem a parte de dentro. Tem os olhos e tem o fundo dos olhos. Da boca saem esses sons. De repente alguém encosta em mim. Pra perguntar com o quentinho da mão se estou ouvindo e entendendo. Sorrio e torço pra pessoa ir embora. Torço pra alguém chegar, só pra torcer bem pouquinho por algo. Mas dai a pessoa começa a falar e torço pra pessoa ir embora. Não tem o que fazer, não tem o que dizer, não tem o que sentir. Sou uma ferida fechada. Sou uma hemorragia estancada. Tenho medo de deixar sair uma letra ou um som e, de repente, desmoronar.

Quando toca uma música bonita, minha ironia assovia mais alto. Um assovio sem melodia. Um assovio mecânico mas cuidadoso, como tomar banho ou colocar meias. Outro dia tentei chorar. Outro dia tentei abraçar meu travesseiro. Não acontece nada. Eu não consigo sofrer porque sofrer seria menos do que isso que sinto. Tentei falar. Convidei uma amiga pra jantar e tentei falar. Fiquei rouca, enjoada, até que a voz foi embora. Tentei aceitar o abraço da minha amiga, mas minha mão não conseguiu tocar nas costas dela. Não consigo ficar triste porque ficar triste é menos do que eu estou. Não consigo aceitar nenhum tipo de amor porque nenhum tipo de amor me parece do tamanho do buraco que eu me tornei. Se alguém me abraçar ou me der as mãos, vai cair solitário do outro lado de mim.

Se eu pudesse usar uma metáfora, diria que abriram a janela do meu peito e tudo de bom saiu voando. Eu carrego só uma jaula suja e escura agora. Se eu pudesse usar uma metáfora, eu diria que tiraram as rodinhas dos meus pés. Eu deslizava pelo mundo. Era macio existir. Agora eu piso seco no chão, como um robô que invadiu um planeta que já foi habitado por humanos. Mas eu não posso usar metáforas porque seria drama, seria dor, seria amor, seria poesia, seria uma tentativa de fazer algo. E tudo isso seria menos.

Não briguei mais por você, porque ter você seria muito menos do que ter você. Não te liguei mais, porque ouvir sua voz nunca mais será como ouvir a sua voz. Não te escrevo porque nada mais tem o tamanho do que eu quero dizer. Nenhum sentimento chega perto do sentimento. Nenhum ódio ou saudade ou desespero é do tamanho do que eu sinto e que não tem nome. Não sei o nome porque isso que eu sinto agora chegou antes de eu saber o que é. Acabou antes do verbo. Ficou tudo no passado antes de ser qualquer coisa. Forço um pouco e penso que o nome é morte. Me sinto morta. Sinto o mundo morto. Mas se forço um pouco mais, tentando escrever o mais verdadeiramente possível, percebo que mesmo morte é muito pouco. Eu sem nome você. Eu sem nome nós. Eu sem nome o tempo todo. Eu sem nome profundamente. Eu sem nome pra sempre.

Sobre a autora:  Tati Bernardi é roteirista  de cinema e TV, colunista e escritora! Sempre leio vários textos dela, tenho certeza que a maioria de vocês já viu algum dos textos dela no tumblr, blogs, facebook, enfim.