Ela se perdeu de si mesma

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Acendeu um cigarro e levou a boca. Suas mãos estavam trêmulas e estava sozinha em meio aquela rua cheias de pessoas. Sua alma gritava por socorro. E em uma tragada e outra, lágrimas escorria pelo seu rosto. As pessoas passava por ela, fingindo não ver. Ela abraçava os joelhos, com medo. Isso faz com que ela se sinta mais protegida. Mas no meio daquela escuridão toda ela sabia que nada daquilo adiantaria.

A noite ia ficando mais fria e orvalho caia sobre sua pele. Ela esfregava as mãos uma na outra para poder se aquecer, e o pior, que a única coisa que aquecia era aquele cigarro entre seus dedos. Sentia o amargo na sua boca, mas aquilo, aliava o que estava sentindo por dentro. Ela fechava os olhos e desejava poder acordar daquele pesadelo. Seus dias eram sempre os mesmos, tão tristes e solitários. Quantas vezes ela queria apenas poder abraçar alguém. Só que ela contava apenas com a sua solidão que sempre estava ao seu lado, até mesmo quando não era convidada.

Ela se perdeu de si mesma, não conseguia entender o que tinha acontecido na sua vida. Sentiu como se o mundo a odiasse.

Barulhos de sirene, nada daquilo assustava mais. Já era altas horas da madrugada e as pessoas continuavam indo e vindo. E ela, continuava sentada nos degraus da escada. Só que agora o orvalho tinha se transformado em uma tempestade. Sua roupa se ensopava e o seu corpo tremia todo de frio. O que ela queria, era sua cama quentinha. Ela queria agora pode estar em casa. Só que sua casa tinha tomado outros rumos.

Fechou os olhos e desejo do fundo do coração que alguém ajudasse. De repente sentiu que não cair mais chuva nela. Seus olhos se abriram, reparou que ao seu lado havia alguém de pé segurando um guarda-chuva. Era um rapaz alto, não conseguiu ver muito o seu rosto, mas tinha cabelos na altura do ombro. Agachou-se e entregou a capa de chuva que estava vestindo e o seu casaco. Aliviando frio que ela sentia. O seu rosto tinha traços marcantes, olhos cor de caramelo e o seu sorriso era capaz de desarmar uma guerra. Ele foi embora naquela tempestade e a chuva caia sobre ele. Ela continuava observando sua imagem sumindo em meio às ruas e os carros.

Ela sabia que ele era o seu anjo. Jogou a caixa de cigarros fora. Solto o cabelo e deixou que o vento soprassem todos os fios vermelhos dele. Ela levantou-se daquele chão molhado e frio. Enxugou com as costas das mãos as lágrimas que fazia questão de continuar escorrendo, mas agora, brigava com um sorriso gentil em seu rosto. Ergueu a cabeça e saiu daquele lugar. Ela foi em direção ao horizonte, deixando para trás tudo aquilo que não a pertence mais. Ela sabia que não tem como passar pelas felicidades da vida sem antes conhecer a tristeza. Então é isso, ela acabou percebendo que depois da tempestade sempre vem o arco íris.