Eu tenho medo de amar

texto915Eu não vou mentir que eu tenho um pouco de receio do amor. Apesar de ter uma estante recheada de livros de romance e os meus filmes favoritos são esses que traz amores clichês e, quando eu escrevo, escancaro o amor pra todo o lado. Mas tem algo estranho com esse sentimento dentro de mim, às vezes, sinto que sou fria sobre o amor, não sei sair demonstrando pelas esquinas o que estou sentindo. Quando alguém se apaixonar por mim eu já começou idealizar o cara perfeito do livro que eu li, ou então, trago ele para os meus textos. E então a ficha cai e acabo percebendo que crio ilusão demais com as pessoas.

Tenho esse costume de querer viver um amor impossível.

Costumo esconder o amor, mas eu acredito até demais nele. Ainda mais quando vejo casais que são casados há cinquenta anos, começo a pensar tantas coisas que viveram juntos, todas as dificuldades e as alegrias. E é isso, que faz eu não desistir do amor.

Acho que um dos meus maiores medos do amor é amar demais e acabar recebendo apenas a metade desse sentimento. É que eu odeio metades, gosto de tudo por inteiro, principalmente quando é relacionado ao amor. Eu tenho medo de amar e se tornar totalmente independente dessa pessoa. Criar expectativas e depois tudo se tornar desilusão. E viver remoendo tudo que aconteceu e encharcar o travesseiro de tanto chorar. Esse é um dos meus maiores medo. Eu sou mais de admirá-lo, ainda não tenho coragem de vivê-lo. Sinto que ainda não conseguir me permitir amar. Eu já me apaixonei tanto e não fui correspondida. Tantas desilusões que acabei vivendo que transformei tudo em amor próprio. Hoje antes deu me apaixonar por alguém, acabo pensando mais em mim.

Então eu peço, se um dia você se apaixonar por mim não desista. Lute pelo meu amor a cada dia, me conquiste de vaga. Não precisa gritar que me amar, apenas me trate bem que vou sentir algo especial por você. E vou tentar ao máximo não te idealizar o cara perfeito, e sim, alguém cheio defeitos e que vai ser completar com os meus. Eu sei que o cara dos meus sonhos não existe, mas quem sabe, você seja ele.

Basta, amar não basta!

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Poucas frases ditas e ouvidas parecem aprisionar tanto quanto “eu te amo”. Às vezes, só de pensar que amamos alguém ou que alguém nos ama já aprisionamos ou somos aprisionados. É como se o amor fosse tudo. Mas, não, não é ou pelo menos não deveria ser. A gente trata o amor como se ele fosse justificativa para tudo. Não no sentido de usar o amor como razão para alguém levar um carro de som para a porta da casa do outro tocando alguma balada da Mariah Carey ou para chamar um homem barbado e peludo de 30 anos de idade de “bebê”, mas no sentido de achar que por alguém nos amar devemos aceitar tudo que ele faça (ou não faça). A pessoa que você ama não tira um tempo para te acompanhar nos eventos que são importantes para você, não te inclui nos programas dela, acha que toda reclamação sua é um drama, marca algo e não aparece, não atende e depois não retorna, não cuida de você nem da relação, mas diz que te ama, então, você tolera tudo. Ele não te ama, mas diz que ama, então, tudo bem! Ele diz que você é importante para ele, mas não faz a mínima questão de te ter ao lado, não na vertical, em um bom abraço, em uma boa conversa, você só interessa na horizontal, em uma cama, de preferência com as luzes apagadas e sem demorar muito, sabe como é, né? Ele é muito ocupado! A gente faz do amor a nossa última esperança de uma vida feliz, então aprendemos a pagar qualquer preço pela ideia de que alguém no mundo nos ama, de que alguém no mundo nos pertence, de que pertencemos a alguém.

E o preço pago por vezes é tão alto que vamos aceitando “cheque sem fundo” como “amor da minha vida”, e só percebemos a furada na hora do “saque”, na hora que precisamos de alguém e descobrimos que não temos. Ou fazemos com que paguem sem merecermos, pois quando percebemos que o outro nos ama ao invés de o tratarmos ainda melhor, achamos, mesmo que inconscientemente, que ele vai ter que provar. Se ele ama mesmo ele vai ter que conhecer o meu pior e continuar amando, ele vai ter que aceitar tudo, se me ama de verdade! Tolice.Transformamos o amor que nos tinham em ódio e ainda deixamos quem nos amava como se a culpa não fosse nossa. Será que você sabe amar? Será que você sabe ser amado? Sentir amor te isenta de agir com amor (se isso for possível)? No amor, no sentimento, no relacionamento, no coração, qual a sua ação para ter e manter um amor? Sei que falar de amor e flores é um pouco brega, mas não temo ser brega, temo ser alguém infeliz.

Se o amor fosse uma flor qual delas você iria preferir ter e ser: um buquê lindo, que a todos encanta, comprado na melhor floricultura, mas que em alguns dias (ou horas) morreria, ou uma flor de plástico, artificial, mas que duraria por todo o sempre, amém, ou uma semente que demoraria para florescer, que viveria o tempo que tivesse que viver, mas seria real, natural e única? Você escolhe, você colhe. Na vida cada um decide com o que a própria vida será gasta, o que desgasta, mas para todos a vida ensina, não basta, amar não basta. Então, não se encante com “eu te amo”, o amor faz feliz quando o outro puder te dizer, sem receio, “eu te mereço”.

Texto escrito por Ruleandson do Carmo, Jornalista, 26 anos, BH/MG, mestre em Ciência da Informação, especialista em Criação e Produção para Mídia Eletrônica, professor do curso de Jornalismo da Ufop. Para saber mais, acesse  Eu só queria um Café.