Sabe, não terminou como conto de fadas

Eu costumava ficar os observando. Todos sabiam que eles eram amigos. Ou melhor, dizendo, melhores amigos. Porém, o que todos sabiam mesmo era que, eles se amavam. Só eles que ainda não haviam percebido. Encontravam-se quase todos os finais da tarde na lanchonete da esquina. Conservam sempre dando atenção um para o outro. Sem mexer no celular, como se nada mais tivesse importância. Curtiam apenas o momento.

Ele, uma calmaria. Ela, uma grande tempestade. Totalmente opostos. Porém, ao mesmo tempo se completavam.

O rapaz, acabei percebendo, era muito centrado. Guiava-se pela razão, jamais pela emoção. Tinha os pés no chão. Sempre com um bom humor. Mas eu, identifiquei em seus olhos, um medo. Desconfio que, até ele mesmo desconheça.

E a moça, carregava quase sempre algum livro de Shakespeare. E também outros livros. Decorava, provavelmente, alguma peça de teatro. Em sua pele existia tatuagens enigmáticas. Constelações. Rosas. Borboletas voando. Lua. Unicórnio. De alguma forma todos os desenhos poderia ser uma grande definição sobre ela. Confesso que imaginava o significado de cada um deles em sua vida. Aliás, a primeira impressão dela é, uma garota sonhadora que viver com a cabeça nas nuvens.

Em um fim de tarde, como todos os outros, clientes já tinham ido embora e os dois continuavam sentados na mesa e, então, algo que todos imaginavam que ia acontecer. Aconteceu, eles se beijaram – não literalmente, porque quem teve a iniciativa do beijo foi ele. E ela correspondeu, mas depois saiu correndo, deixando ele sozinho. E não acabou, antes de ir embora, ele deixou um bilhete singelo na mesa “Desculpe pelo beijo, mas eu prometo não te incomodar mais”.

Nos dias seguintes, ela continuava o esperando no mesmo lugar. Ele não apareceu mais. Nem na segunda, terça e todo resto do mês. De telespectadora, fiz parte daquela história, entreguei o bilhete que ele havia deixado. Seus olhos lacrimejavam, enquanto lia mais de duas vezes aquele pequeno bilhete. Depois, guardou na bolsa o pequeno papel e foi embora se misturando no meio da multidão. Nunca mais ninguém os viu por ali.

Pena que, aquela história não terminou iguais aos contos de fadas. Cada  um seguiu o seu caminho.

Quem sabe, um dias eles se reencontram e descubram, o amor foi um dos sentimentos que mais os ligavam. Talvez, pode ser tarde. Além disso, quero que eles sejam felizes, mesmo não estando juntos. Pode ser que acabou, mas se foi bom, guardem as melhores memórias, porque são essas que merecem fazer parte das lembranças que viveram juntos. Até o fim.


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Comentário(s)

8 comentários em “Sabe, não terminou como conto de fadas”

  1. Gosto muito dos seus textos Fran, você escreve muito bem. Sempre fico, meu Deus como termina?? rss
    A vida não é cheia de finais felizes, quem dera en?! Mas eu os encaro como um empurrão as vezes dolorido pra não só algo melhor – isso é até clichê, mas verdade também – mas um empurrão para nós mesmos dentro de nós, entende? É meio complicado… Tipo um encontro consigo sabe. Cara a cara com medos e tudo mais… Depois disso a vida fica mais fácil.

    rasgadojeans.blogspot.com

    1. Obrigada por esse comentário tão lindo! <3
      Pois é, bem que poderia ser um verdadeiro conto de fadas! Eu entendo, tudo que você quis dizer. E pensando, por esse lado, eu concordo também – algo assim, quando acontecer em nossas vidas nós traz muitas aprendizagem e ajudar a nós descobrir ainda mais. <333

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